Rodrigo Burgos

 

O Saturday Night Live original é o maior programa estadunidense de humor de todos os tempos. Veja bem, eu não disse o melhor, ou o mais engraçado, porque seria subjetivo, uma questão de opinião. Mas, sem dúvida, é o maior de todos, tanto pelo fato de estar no ar por 37 anos, como por ter revelado alguns dos maiores nomes do humor de todos os tempos. Nomes como: Chevy Chase, Jim Belushi, Dan Aykroyd, Mike Myers, Adam Sandler, Will Ferrel e muitos outros.

Eis que a Rede TV resolveu comprar os direitos do programa para fazer a versão nacional do SNL. Com a intenção de substituir o Pânico, o canal contratou o humorista Rafinha Bastos para capitanear essa nova versão do programa.  Isso foi amplamente divulgado pela mídia, já que toda noticia que envolve o Rafinha acaba gerando bastante repercussão. Ele montou uma equipe com comediantes desconhecidos do grande público, mas que integram essa nova geração de humoristas que teve origem no “stand-up”.

No SNL original, todo programa conta com um convidado especial, que apresenta o programa e participa de alguns esquetes. E também com uma atração musical, que se apresenta ao vivo. Esse é um dos grandes problemas que o SNL Brasil deve encontrar, enquanto lá fora grandes estrelas do cinema e da música participam da atração, aqui eles devem encontrar muita dificuldade, porque os mais conhecidos são contratados da Globo, que nunca deixaria eles participarem, e também convivemos com muitos artistas que não sabem rir de si mesmo, e não se prestariam a esse tipo de programa. Esse último motivo, o tempo e a consolidação do programa podem resolver dando mais segurança ao artista.

Mas vamos ao programa de estreia, a estética visual do Sunday Saturday Night Live Brasil é bem fiel ao original. Saem às cenas de Nova York e entram as cenas de São Paulo. Quadros ao-vivo intercalam com outros gravados. Logo na abertura o assunto mais falado da semana ganhou uma sátira, Xuxa, e seu depoimento ao Fantástico, foi à primeira vítima do programa:

Diferente do SNL original, quem apresentou o programa não foi um convidado, e sim o próprio Rafinha. Não está muito claro se vai ser sempre assim, ou foi apenas nesse primeiro programa. Rafinha começou brincando com a sua fama de polêmico, e resolveu pedir desculpas por todas as suas piadas. Na verdade ele usou um texto do seu próprio show de “stand-up”, bem engraçado e sarcástico, deve render algumas manchetes em sites “polêmicos” de fofoca.

As atrações ao-vivo mostraram o quanto estavam nervosos os atores, alguns erraram suas falas, e Rafinha até precisou pedir a deixa novamente em um dos quadros, nada que comprometesse, mas os atores que vieram dos shows de improviso se saíram melhor.

O único quadro, pelo menos por enquanto, que veio do original, o Weekend Update, foi um dos pontos altos do programa. Com Rafinha como apresentador do jornal que faz piada com as principais notícias da semana, sobraram piadas ácidas para todo lado. Nem o próprio Rafinha acabou ileso, e ganhou do “Cirilo de Carrossel” o apelido de “Racistinha Bastos”.

Aliás, uma das virtudes do programa é essa, faz piada com todo mundo e sabe rir de si próprio. O programa fez piada com a própria emissora e sua fama de atrasar salários, com a estrutura precária e baixo ibope, e com o fato de que as principais apresentadoras são esposas dos donos, entre outros.

A atração musical, Marina Lima, foi o ponto baixo do programa. Além de não empolgar a escolha, a qualidade do som estava péssima, e a apresentação deu sono. Um convite pra dar uma zapeada e ai perder o espectador em um dos horários mais concorridos da TV.

Aliás, o ibope do programa não foi muito bem, teve uma média de 0.8 pontos no ibope, algo semelhante ao que a emissora já marcava no horário. Um dos obstáculos que a atração vai ter que superar com o tempo. Porém ela conta com bastante anunciantes, todas cotas de patrocínio foram vendidas, e alguns de grande renome. Até por isso temos ações de merchandising no meio de programa. É chato, mas alguém tem que pagar a conta.

Após o primeiro programa fica nítido que a atração precisa evoluir, e tem tudo para isso. A escolha do elenco parece muito boa, e temos um programa que não tem semelhantes na TV aberta. O que é uma virtude pode ser um problema também se a cobrança por ibope for muito imediatista, pois afinal, como disse, não é um estilo de programa comum aqui no Brasil. Infelizmente se fosse mais a cara de um “Zorra Total”, tivesse mais chance. Felizmente não é.

No mínimo é mais uma boa opção de programa de humor, nesse bom momento que a categoria vive no Brasil.

Yada, yada, yada e um bom show para vocês.

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