Home Destaque Resenha: ” A Rainha Vermelha”

Resenha: ” A Rainha Vermelha”

0 1765

Red-Queen-Featured

Em um mundo onde a raça humana está dividida em duas castas, os vermelhos e os prateados, vemos o desenrolar da história de uma jovem que luta para sobreviver  onde deuses ainda caminham sobre a terra, mas ele não são gentis.

Essa é a história que o livro “A Rainha Vermelha” nos conta, escrito por Victoria Aveyard, lançado no Brasil pela Editora Seguinte em junho de 2015. É a estreia da autora com esse “romance” que é o primeiro volume de uma trilogia.

tumblr_static_awsf1lbl5l44o404ccskww8g8

O mundo de ” A Rainha Vermelha” é formado por duas castas distintas entre si, os “vermelhos” que são pessoas comuns cujo o sangue é vermelho e os “prateados” seres humanos cujo sangue sofreu uma mutação que mudou sua cor para prata e deu habilidades especiais a essas pessoas. Os prateados podem manipular elementos como fogo, água, gelo, terra, metal, podem influenciar telepaticamente pessoas e até mesmo curá-las.

E como é de esperar da raça humana, sempre que é concedido a alguém, algo que lhe dê vantagem sobre os outros, ele alguém usa seus dons para subjugar e escravizar os outros, e é isso que os Prateados fazem com os vermelhos.

Nesse livro somos apresentados a protagonista Mare Barrow, uma adolescente que vive em uma cidade chamada Palafitas,um gueto onde os “vermelhos” vivem uma vida de miséria, dificuldade, muitas privações e aflições. Mare é uma garota que vive o drama de estar as portas de completar seu 18º aniversário e ser obrigada a prestar o serviço militar, algo que é imposto a todos jovens vermelhos, pois o país está em uma guerra que nunca termina. Pra ajudar sua família ela pratica pequenos furtos no mercado da cidade. Sua vida muda quando após um acidente, que acaba destruindo o futuro de sua irmã Gisa – que trabalha pra monarquia e era a esperança de um futuro para a família – seu caminho se cruza com um misterioso homem que a leva para trabalhar no palácio de verão do Rei.

Como miséria pouca é bobagem, em meio a uma festividade em que as moças das casas prateadas mais nobres do reino, demonstram suas habilidades, afim de que possam disputar a mão do príncipe, acidentalmente Mare descobre que possui poderes, o que é impossível para um vermelho! Isso a torna algo novo e inesperado para os prateados, o que leva a família real a mentir sobre sua origem para que possam continuar a dominar os vermelhos. Mare porém tem planos para usar seus poderes e mudar o rumo da história de seu mundo.

O livro é um típico produto Young Adult, temos todos os elementos que fazem sucesso ultimamente, uma personagem feminina, um triangulo amoroso, um futuro “distópico”, castas, injustiças etc, etc.

Ao ler “A Rainha Vermelha” me deparei com uma escrita fluida, simples, porém bem pobre. É fácil ler o livro, mas falta a autora momentos na narrativa que se mostrem mais “poéticos” e menos descritivos.

Outro problema que encontrei, Victoria tenta criar uma personagem forte, independente, mas Mare é totalmente o oposto disso. Segundo a história, a protagonista é uma ladra habilidosa, mas no decorrer do livro é possível ver atitudes inocentes demais para alguém que vive na rua, falta malícia a Mare. Por inúmeros momentos a personagem não parece ter 17 anos, sua atitudes são bem infantis. Mare também sofre do mal que persegue das personagens femininas da cultura pop atual, ela É uma donzela em perigo. Por mais que tenha poderes, por mais que seja uma ladra, ela está sempre a espera do príncipe em seu cavalo branco, ou moto se você preferir.

Outro ponto negativo é o triangulo amoroso formado pelos dois filhos do Rei e Mare. O Primogênito se chama Cal e é o esteriótipo do príncipe perfeito e extremamente chato, pois não tem defeitos, não dúvida, não teme, ele não é real. O irmão mais novo , Maven, é um pouco menos raso e sofre do dilema de viver à sobra do irmão perfeito, enquanto pede migalhas do amor do Pai, o personagem poderia ser uma boa saída pra quebrar um clichê, mas…

O mundo de Mare é uma misturada de coisas que já vimos por ai (Jogos vorazes ,X-men, A Seleção) mas falta algo que o defina e tire essa impressão de que as coisas estão ali em função da personagem e não que a personagem exista no mundo já estabelecido. O mundo parece medieval, mas tem coisas como eletricidade, motos, câmera de vigilância, Rede de tv, mas não vejo um dispositivo de comunicação a distância, ai do nada aparece uma sala onde operadores se comunicam com o campo de batalha a distância. Do nada!!! A tecnologia no universo não é bem trabalhada o que me tirou do “mundinho” em muitos momentos. Tudo isso torna o mundo inconsistente.

Mas “A Rainha Vermelha” é uma porcaria então?

Não, como eu disse a leitura foi fácil, é bem fluida, apesar da simplicidade do texto não há nada que dificulte a evolução da leitura. Há momentos que também me empolgaram, por exemplo como determinado personagem lidaria com certa situação de perigo e algumas viradas de roteiro.

Mare é uma típica protagonista de YA, mas não é tão sonsa como muitas personagens do gênero. Ela tem seu charme apesar de suas fraquezas.

Gostei bastante do desfecho do primeiro livro, deixou vários ganchos e pontas para serem amarradas e desenvolvidos no próximo, espero que a autora possa evoluir a narrativa e quem sabe pesquisar um pouco mais e fundamentar melhor esse universo que é sim interessante, mas que ainda está muito crú.

Outra coisa muito boa, o projeto gráfico, a capa está muito bonita e instigante, a capista Sarah Nicole Kaufman fez um projeto muito clean mas que captura a essência do Livro e aqui no Brasil ela foi impressa em um papel metálico o que deu mais beleza ainda para a capa.

Sequin Prom Dresses

Minha sincera opinião é que “A Rainha Vermelha” é altamente recomendado para quem é consumidor ávido do gênero e que não se importar de ver a mesma fórmula sendo explorada novamente. Mas se você quer algo um pouquinho mais elaborado ou está cansado de YA é melhor procurar outra leitura.

Kleber Ivo designer e desenhista. Gosta de ler, desenhar, ouvir musica, tocar baixo/guitarra, cinema. séries e adora o mundo dos quadrinhos e afins.