

Escrevo estas mal traçadas linhas enquanto o carnaval aquece suas turbinas, ou seja, 2012 vai de fato começar por aqui em alguns dias. Tiro proveito da sazonalidade da indústria fonográfica pra falar de um álbum que me é muito caro: Moseley Shoals (1996), da banda britânica Ocean Colour Scene.
Eleito pela Q Magazine o 33º melhor álbum de todos os tempos. O álbum foi platina tripla no Reino Unido, tendo vendido ao final de 1996 mais de 1,3 milhões de cópias somente na ilha. Fora do reino unido a banda nunca repetiu o mesmo sucesso, o que é uma pena. Moseley Shoals é uma aula de britpop sem a arrogância dos irmãos Gallagher ou a afetação dândi de Damon Albarn, que sempre estiveram a frente do movimento. Com o OCS era diferente, sem o prestigio de Oasis e Blur, mas com talento de sobra, a banda produziu um disco que beira a perfeição.
Riffs de guitarra vigorosos, refrões ganchudos e canções de apelo folk e musicalidade raras. O hiato entre o primeiro lançamento homônimo (1992) e o segundo disco permitiu que os músicos amadurecessem e o resultado é um álbum coeso e inspirado onde todas as faixas mantêm o nÃvel. Desde a faixa de abertura, a frenética The riverboat song até a hipnótica Get Away, que encerra o disco com seus densos 7:55 minutos. The Day we caught the train é a balada que o Coldplay está tentando escrever até hoje. The Circle e One for the Road também foram hits. Sendo que as três primeiras alcançaram o Top 10 da parada britânica de singles.
A razão da escolha em falar sobre esse álbum é que quinze anos depois ele começa a ser redescoberto. Em março de 2011 foi relançado em formato deluxe (edição dupla) contendo o álbum remasterizado e um cd-bônus com os lados-b dos singles. Em dezembro foi lançado o álbum ao vivo gravado na cidade de Birmigham, em 2CDS/DVD. Por isso, se você está sentindo falta de um bom álbum de rock inglês, Moseley Shoals é uma boa pedida. Mais que isso, uma aula de rock’n’roll de muito bom gosto.