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Clássicos do Rock Nacional

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1986 (O ano ruim do rock brasileiro) (Eu espero que todos entendam a ironia do título.)1986 deve ter sido um ano muito bom e muito ruim para quem gostava de rock aqui no Brasil. O chamado até então ‘Rock Brasileiro’ hoje em dia mencionado como BRock a torto e a direito lançou nesse ano alguns dos álbuns mais significativos daquela década e alguns deles estão sendo redescobertos e/ou relançados em tiragens especiais. Quando eu digo que o ano foi muito bom é por que o movimento encontrava seu auge criativo e; muito ruim por que deveria ser bem difícil naquele tempo e naquela economia deparar-se com tantos bons trabalhos e escolher o que comprar, pois cada escolha nos fazia renunciar tantas outras (problema que hoje não temos mais, em minha humilde opinião). Importante ressaltar que, embora para os mais jovens seja difícil conceber, não havia internet e muito menos mp3, não havia gravador de CD nem mídias magnéticas a preços módicos. Ou ouvia-se as músicas no rádio ou comprava-se os bolachões ou cassetes, que sempre foram caros (atualmente o imposto cobrado sobre o valor final de um álbum é de 36%). Posto isso, vamos ao que interessa: em 1986 foram lançados os seguintes clássicos:

Dois (Legião Urbana): A banda de Brasília capitaneada por Renato Russo lançava o seu segundo álbum, que deveria ter sido duplo. Em seu segundo trabalho as canções foram lapidadas e uma série de sonoridades novas incorporadas. As letras também eram muito mais densas e líricas que as do álbum de estreia. Canções como Quase sem querer, Tempo perdido, Eduardo e Mônica, Andréa Dóriacontinuam emocionando muito marmanjo por aí. Não há sequer uma música fraca no disco todo.

  Cabeça dinossauro (Titãs): O terceiro disco do octeto paulistano é uma pedrada do começo ao fim. Verborrágico e violento, Cabeça dinossauro talvez seja o álbum que melhor expressou a indignação da juventude daquele tempo e também o que tem o maior número de palavrões (pra época). A banda está comemorando 30 anos e o álbum ganhou versão remasterizada, em formato duplo e com uma canção inédita, chamada Vai pra Rua. Nada menos do que 6 canções tocaram nas rádios e até hoje são obrigatórias nos shows da banda, com destaque para AA UU, Polícia, Bichos escrotos, Família, Homem Primata e O quê.

  Selvagem? (Os Paralamas do Sucesso):Os Paralamas foram uma das primeiras bandas a assinar com uma grande gravadora (1983 – Cinema Mudo) e também apadrinharam diversas outras (Legião Urbana, Plebe Rude). Dono de uma extensa coleção de guitarras, Herbert Vianna é talvez o grande filantropo do rock nacional e sempre que uma nova guitarra entra em sua coleção, uma das antigas é doada para uma banda iniciante. Mas, além disso, Herbert Vianna é um dos mais talentosos e prolíficos compositores do rock brasileiro. O álbum de 1986 merece destaque não só por trazer a sonoridade do dub e do ska para o Brasil mas, principalmente pelas letras e pelas sonoridades africanas.  Dentre os clássicos estão Alagados, A novidade, Melô do marinheiro, selvagem e o medley Você/Gostava tanto de você. Outro disco obrigatório.

É mestre em comunicação e semiótica. Trabalha como produtor gráfico e leciona na PUC/Minas. Toca contrabaixo e gosta de truco, música e boliche.

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  • Tattinha Carneiro

    Amo Rock Nacional e não sei o que faria se não fosse a internet e a possibilidade que ela me dá de ter essas músicas, visto que obviamente não tem como comprar todas! Mas esse post vai ter continuação né? Pq existe muitas outras bandas que são igualmente clássicas para o Rock Tupiniquin e outros anos bons(apesar de vc ter razão, 1986 foi sem igual)!