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Buenas, gorilada. Estou de volta com um post um pouco diferente, mais voltado para os músicos. A empresa Monocase lançou um case para instrumentos musicais que é uma verdadeira obra de arte. Melhor, é um belÃssimo case de design de produto: o Monocase M80 Vertigo. Não se trata de um jabá e sim de uma informação de utilidade pública. Cases de madeira são excelentes para guardar os instrumentos em casa mas para carregar por aà são um verdadeiro pé no saco. Especialmente para aqueles que como eu dedicam-se à s notas graves. O Monocase M80 Vertigo é leve e, no entanto protege o instrumento musical com competência. Em cada parede há um apoio para o braço que ao fechar, protege o instrumento por ambos os lados. Outra inovação diz respeito à base, onde normalmente o pino de sustentação da correia, acessório que permite que os músicos toquem em pé acaba por furar os bags tradicionais com o passar do tempo. A base do M80 vertigo é feito de borracha vulcanizada, idêntica à utilizada em solados de tênis esportivos. Um outro detalhe é que a abertura para retirada do instrumento se dá pela parte superior do instrumento e não pela parte inferior ou lateral, como a maioria das bags. Infelizmente eu não obtive sucesso ao contatar a empresa responsável pela distribuição em território nacional, ou seja, por enquanto quem quiser conferir de perto esse novo conceito em proteção para instrumentos musicais vai ter que desembolsar em torno de R$ 700,00, adquirindo o produto diretamente no exterior.

Vinte e sete anos é a idade mais perigosa do rock. Veja abaixo verdadeiros gênios que nos deixaram aos vinte e sete anos:
Jimmy Hendrix (1942 – 1970)

Considerado ainda hoje o melhor guitarrista do mundo, Jimmy foi encontrado morto supostamente afogado em seu próprio vômito. Embora até hoje existam dúvidas à respeito, inclusive a hipótese de que o crime fora encomendado pelo próprio empresário dele, que teria contratado uma gangue que lhe obrigou a tomar os comprimidos, já que possuia uma apólice de seguros de 2 milhões de dólares.
Janis Joplin (1943 – 1970)

Janis Lyn Joplin, considerada a rainha do rock’n'roll. Morreu por overdose de heroÃna. O trabalho de maior relevância de sua carreira é o álbum Pearl, lançado seis meses após sua morte com a Full tilt boogie banda. Nele estão os clássicos Mercedez-bens (cantada à capella) e Me and Bobbie McGee.
Jim Morrison (1943 – 1971)

Vocalista do Doors, o rei-lagarto morreu supostamente por overdose de heroÃna (não houve autópsia). Deixou clássicos como Riders on the Storm, Break on through, The End e Light my fire.
Kurt Cobain (1967 – 1994)

Kurt Cobain e o Nirvana agitaram o Rock nos anos 90 com o álbum Nervemind, um clássico indispensável que só tem pedradas: Smells like teen spirit, In Bloom, Polly, Drain you, Come as you are, etc. A versão oficial é de que Kurt se suicidou com um tiro na cabeça mas a quantidade de heroÃna encontrada em sua corrente sanguÃnea daria pra matar um boi. Mas a morte de Kurt não foi de todo ruim, afinal, o baterista Dave Grohl formou o Foo Fighters um ano depois.
Amy Winehouse (1983 – 2011)

Cantora britânica de muito talento, deixou apenas dois álbuns gravados. Seu segundo álbum, Back to black já é clássico. Rehab e a faixa-tÃtulo garantiram a ela sete prêmios grammy, incluindo melhor álbum e melhor canção. Pena que tão grande quanto seu talento era sua capacidade autodestrutiva.
É, galera, ainda teremos que agüentar o Justin Bieber por mais oito anos.


A editora Leya publicou a autobiografia de Johnny Ramone, intitulada Commando. A promessa de uma leitura tão rápida quanto as músicas dos Ramones me animou: Challenged accepted (piadinha que o Rodrigo Burgos vai entender!). De fato, li o livro todo em cerca de quatro horas (um pouco menos de 150 páginas com muitas imagens então não foi tão difÃcil).  Em principio não entendi o tÃtulo, afinal, os Ramones tem pelo menos duas dúzias de canções mais importantes que essa: “Blitzkrieg Bop, Sheena is a punk rocker, Pet sematary, Poison heart, I want to be sedated, etc. Durante a leitura fica claro que o tÃtulo refere-se à posição de liderança que Johnny afirmava exercer. Ao contrário do que a mitologia do punk rock sugere (e é reforçada pelo fato de todos os integrantes da banda adotarem o sobrenome Ramone, que cria a idéia de uma famÃlia) as relações entre os integrantes sempre foram tensas e houveram fases em que nenhum deles se relacionava com os demais (durante as gravações do álbum Pleasant Dreams, o primeiro que não traz a banda na capa[1], provavelmente por que eles não se topavam nem pra tirar fotos). Johnny não tem papas na lÃngua e não poupa ninguém (nem a si mesmo). Se mostra como um americano durão, descendente de irlandeses oriundo da classe operária nova-iorquina. Via a banda como um trabalho, cuidava da grana, da imagem e submetia os demais integrantes à regras rÃgidas de conduta. Tinha no baixista Dee Dee um grande amigo e surpreendentemente uma relação estritamente profissional com o vocalista Joey, de quem se queixa o tempo todo, por estar sempre doente. Segundo Johnny, ele era o “Boss”. DifÃcil será desmenti-lo, já que o livro saiu após a morte de Joey (2001) e Dee Dee (2002). Johnny também já morreu (2004). O único remanescente da formação original é o baterista e produtor Tommy, descrito como mediador da relação entre eles. Eu gosto muito da banda mas achei Johnny meio babaca: o cara não gostava de viajar pra fora dos Estados Unidos mas tinha seus maiores públicos na Europa e América do Sul (inclusive ganhou o primeiro disco de ouro da carreira no Brasil, pelas vendas de Mondo Bizarro) e deu um soco no Joey só por que o cara se atrasou pra ir ao cinema com ele. Mas essa é só a minha humilde opinião.

[1] Road to ruin (álbum de 1978, traz a banda em estilo cartoon.


Tom Zé é o dono de um dos textos mais relevantes da MPB e infelizmente é mais reconhecido lá fora (onde caras como David Byrne babam o ovo do cara) do que no Brasil. Injustiça essa que não deve ser reparada em vida, quiçá post-mortem. Mas recentemente seu nome voltou aos holofotes devido ao fato dele ter narrado um anúncio da Coca-cola. Muitos passaram a utilizar as redes sociais para criticá-lo acusando-o de ser um vendido. Numa era em que celebridades da moda transformam seus corpos em outdoors de produtos que sequer acreditamos que eles usem de fato, Tom Zé é acusado pelas redes sociais de ter se vendido pra uma multinacional. Por que será que o “Merchan” de Tom Zé provocou tamanha repulsa? Será que é por que as pessoas o consideram um músico sério, ao contrário das celebridades efêmeras que cobram pra fazer presença VIP em eventos diversos? Mas Tom Zé não precisa que eu o defenda, claro. Ele escreveu, gravou e liberou para download gratuito sua defesa, um EP intitulado Tribunal do Feicebuqui (com a participação de artistas como Emicida, Trupe Chá de Boldo e Tatá Aeroplano). A primeira faixa pergunta: “Que é que custava morrer de fome só pra fazer música?” e já demonstra o tom do trabalho. Fazer música não é fácil e não é barato. Fazer música de verdade, não modinha, custa caro. Não é somente “samplear” uma batida e cantar uma estrofe repetitiva, “lek”. Na faixa “Papa Francisco perdoa o Tom Zé” outro recado: “Mas eu sei que Papa Francisco vem perdoar / O tipo de pecado que acabaram de inventar “.
Tom Zé responde com ironia e humor a falsa e moralista crÃtica de uma sociedade que se vende o tempo todo mas não permite que ele empreste seu prestÃgio (e vale dizer, prestÃgio adquirido primeiro lá fora) para continuar financiando a música que acredita. Vale também para repensarmos o uso que fazemos das redes sociais. Seriam elas adequadas para servirem de tribunal?
O GorilaCast de número 58 tratou das redes sociais. Confira!
Baixe o EP no site oficial de Tom Zé: http://www.tomze.com.br/

Rock nacional sem divinagem
Tem muita gente que anda reclamando que o rock nacional anda muito divino[1]. Quem fala isso tem em mente apenas o mainstream, que de fato se transformou em algo praticamente infanto-juvenil. Me refiro a Restart, Cine, Caps Lock e congêneres. Mas nem só de divinagens vive o rock nacional, são vocês que estão procurando no buraco errado (a ambiguidade da frase é proposital). Portanto, fiquem de olho nesses caras, especialmente nos plays que eu comento:
Autoramas. Nada pode parar os Autoramas (2003)

Terceiro (e melhor) disco do trio liderado por Gabriel Thomaz (ex-little Quail). O disco é uma paulada do começo ao fim, com letras inspiradas. Uma delas inclusive empresta seu tÃtulo de um livro do existencialista Jean Paul Sartre (O inferno são os outros). Destaque para Nada a ver, Megalomania, Rei da implicância e O bom veneno.
Violins. Grandes infiéis (2005)

Apesar do nome divido a banda natural de Goiania toca pesado. Seu segundo[2] disco é um álbum conceitual e uma obra-prima pronta para ser descoberta. Destaque para Hans, Glória, Atriz e Vendedor de rins. Ainda na ativa, a banda lançou em 2012 o excelente Direito de ser nada, outro álbum conceitual.
Matanza. Música para beber e brigar (2003)

A banda mais testosterona na ativa. O Matanza faz um som sujo e pesado, uma espécie de cruzamento entre Motorhead e Johnny Cash. As letras retratam o universo cabra-macho texano. Destaque para os petardos Pé na porta, soco na cara; Maldito hippie sujo; Bom é quando faz mal e Matarei. O mais recente trabalho do Matanza saiu ano passado e se chama Thunder Dope.
Moptop. Moptop (2006)

Chamado pejorativamente de Strokes brasileiro, o quarteto carioca lançou um puta disco de estréia, na linha do Franz Ferdinand, Artic Monkeys e Strokes. Originalidade não é o forte dos cariocas mas boas guitarras e refrões ganchudos sim. Destaques para O rock acabou, Ninguém pra te esquecer e Moonrock.
Os Azuis. II (2012)

Autoproduzido e independente. Gravado ao vivo no estúdio. Rock’n'roll com influência dos anos 60. Destaque para Coração de Pedra Blues e Você não me vê.
O rock está morto. Viva o rock!
That´s all folks.
[1] Para compreender melhor o termo DIVINO eu sugiro que escutem o Gorilacast #54.
[2] Terceiro se considerado o primeiro EP lançado em inglês sob a alcunha de Violins and Old books.